Uma Família Normal

09:21:00


Somos uma família que sorri, que chora, que abraça e que se afasta. Somos da paz, somos também da guerra. Somos unidos e desunidos; somos felizes, às vezes tristes. Quem vê de longe acha bonita, quem vê de perto acha normal. Quem vive de dentro sabe que é mortal. Todos os dias lutamos contra os mesmos problemas: birras, vícios, resistência contra o virtuoso, preguiça e egos inflados. Eu pensei que educar fosse mais fácil, mais leve, mais normal. Mas a realidade me mostrou que minha força é pequena para lidar com problemas até mesmo banais. Até que pequenos lampejos surgem no caminho: palavras de gratidão, ajuda voluntária, pedido de perdão, a busca pela comunhão. Não dá para vivermos sozinhos, livres dos outros. Amar tem um preço e ele sempre vem com a etiqueta do carinho, da entrega e do perdão. Ora, se Jesus nos escolheu para sermos sua família, se Ele viu em nós a possibilidade da reconciliação, por que eu me desesperaria fechando as portas da compreensão? Se a família que Ele formou também tem seus defeitos, por que eu não os enfrentaria ao lidar com corações imperfeitos? Às vezes, queremos a perfeição de pequenas criaturas em formação. Esquecemos da nossa vida, de como dependemos da misericórdia de Deus para alcançarmos o perdão. Filhos são dádivas de Deus, um presente para nosso aperfeiçoamento. Como tudo o que é bom, vêm cercados de mistérios, de muito trabalho e sofrimentos. Não é tarefa para os fracos, nem para os que desistem facilmente. É um trabalho contínuo de arar a terra, semear e vigiar. É levar a preciosa semente andando e chorando, na esperança de ver os frutos prometidos. A semeadura é feita com lágrimas, mas a sega será feita com alegria. O percurso é feito de sacrifícios, mas a volta será feita de regozijo e calmaria. Só vencem aqueles que permanecem, que lutam diariamente contra si mesmos, contra a tendência natural de ter descanso fácil, de ter sucesso passageiro. “Não havendo bois, o celeiro fica limpo, mas, pela força do boi, há abundância de colheitas” (‭‭Provérbios‬ ‭14:4). Não nos preocupemos com a sujeira do estábulo. Vamos limpando de pouquinho, repetindo quantas vezes forem necessárias. A colheita será abundante, mas não sem o árduo trabalho.


____________ Adna S Barbosa

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