A democracia manipulada e a liberdade em Cristo

17:06:00




Nos últimos dias, várias mensagens circularam pelos grupos de WhatsApp sobre a programação da Rede Globo: a nova novela das 9h, A Lei do Amor, e um filme que exalta o satanismo, chamado A Comédia Divina (veja aqui o trailer). Numa das aberturas da novela está um par de homens dançando e relacionando-se como se fossem marido e mulher. Já no filme, há uma clara intenção de difamar a igreja e exaltar o satanismo e as práticas ocultas das trevas. Claro, tudo em nome do cinema, da arte e da liberdade de expressão.

Estamos vivendo numa nova ditadura, num novo totalitarismo vestido de democracia, liberdade de expressão, igualdade e tolerância. No cerne desta suposta liberdade está o desmantelamento das normas sexuais. Tudo isso faz parte de uma agenda mundial que visa destruir a família tradicional e os valores judaico-cristãos. Como desde o início do mundo até hoje, o príncipe deste mundo incita os homens ao pecado; estes, por sua vez, são inflamados pelas suas próprias concupiscências, que são ratificadas e incentivadas pelo sistema mundano. E tal como nos tempos de Noé, usam toda sua imaginação para produzir males. Mesmo tendo o conhecimento de Deus, preferem dar ouvidos aos clamores dos seus corações obstinados e dedicam suas vidas e energias para recriar uma humanidade à sua própria imagem caída. As produções culturais mundanas nada mais são, portanto, do que uma racionalização dos próprios pecados dos seus autores.

Esse padrão de produção cultural se repete ao longo da história da humanidade. E hoje, ele aparece na forma da cultura popular, nas produções televisivas e cinematográficas. Esse intento maligno, na história recente e que nos toca diretamente, procurou atrair primeiro o povo comum dando um status de ciência à toda racionalização do pecado, abolindo toda moral cristã da vida humana. Desde que a ciência foi ungida como o único caminho da verdade (cientificismo), as atividades da vida familiar, como educar e treinar, foram transferidas para especialistas (educadores, psicólogos, médicos...). Eles tornaram-se os novos pregadores. Substituíram o amor paternal pelo controle dos comportamentos de forma científica. Desde que começaram a usar essa abordagem, cada vez mais foi negada aos pais a competência de criar seus próprios filhos. Isso abriu uma grande brecha para o controle das pessoas e a consequente perda de liberdade.

Pais foram incentivados a deixar seus filhos com especialistas, enquanto buscavam o prazer pessoal em outras atividades. E hoje vemos como estamos à mercê desses profissionais: eles são as pernas, os braços, o coração. Dê uma olhada nas colônias de férias das escolas: salas cheias de crianças que são jogadas para lá porque seus pais não sabem o que fazer com elas nas férias. Olhe também os entretenimentos: TV, games, tablets - nada que envolva ensinamento e envolvimento intencional dos pais. E estes gabam-se de que seus filhos são inteligentes porque sabem mexer naqueles botõezinhos. Observe também os consultórios terapêuticos infantis: são verdadeiros quartos infantis ampliados, feitos para suprir um lar vazio. Para lá vão as crianças aprender a escovar os dentes, vestir-se e até mastigar!


Os novos pregadores sabiam que para desmoralizar a fé precisariam primeiro enfraquecer as famílias e as hierarquias sociais. Por isso foi que primeiramente enfraqueceram os pais, enquanto auto-proclamavam suas teorias e caminhos inusitados para a felicidade e bem-estar social. A meta da mentalidade que opera no mundo, na verdade, é travar uma batalha contra Deus e contra toda a estrutura criada por Ele para o Seu louvor e ordem no mundo (família e igreja). Marx e Engels, no Manifesto do Partido Comunista de 1848, disse: "...o comunismo quer abolir as verdades eternas, quer acabar com a religião e toda a moralidade... [Os Comunistas] declaram abertamente que seus fins só podem ser alcançados pela derrubada violenta de todas as condições sociais existentes". Para Marx, "O segredo para a Sagrada Família é a família terrena. Para acabar com a igreja, é preciso destruir primeiro as famílias terrenas, tanto na teoria como na prática". (Falamos sobre isso neste texto aqui)

Outros adeptos dessa ideologia deram continuidade, espalhando pelo mundo a revolução sexual como salvadora e libertadora dos padrões autoritários e patriarcais da família tradicional. Ela não teria sucesso se a família não fosse minada nas suas bases. Igualdade entre os sexos e divórcio foram exaltados na grande mídia. Eles tinham como objetivo central a destruição do casamento e da família tradicional. Usaram a sexualização das massas para alcançar suas metas. Veja o que disse Reich, em sua obra A Revolução Sexual: "A família patriarcal é o terreno estrutural fértil e ideológico de todas as ordens sociais com base no princípio autoritário." Ele continua: "Não discutimos a existência ou não-existência de Deus - nós simplesmente eliminamos as repressões sexuais e dissolvemos os laços infantis que os prendem aos pais". E o que é o princípio autoritário em que se baseia a família? É a relação com Deus, com a igreja, com a tradição, com os pais - especialmente se esses pais são os principais instrutores dos seus filhos. Algum tempo depois, hoje, presenciamos aos desdobramentos desse intento maligno: pais pagando caro para que seus filhos aprendam a desonrá-los, sendo ensinados a libertarem-se sexualmente nas escolas; famílias inteiras consumindo produtos culturais de conteúdo espiritual pernicioso, entorpecendo suas mentes com velhas mentiras do maligno.

Nossa liberdade está cada vez mais num caminho estreito. Não há polícias nem placas de censura, mas em cada canto há um discurso pronto a ser seguido, se quisermos ter alguma voz. Os meios de comunicação exercem um poder incontrolável na vontade do povo. Os que não seguem suas leis, são rejeitados, ridicularizados. Gabriele Kuby nos lembra que hoje "não há nenhuma proibição contra o culto religioso, mas em nome da luta contra a discriminação, a liberdade religiosa está sendo insidiosamente reduzida, e as condições sociais para a transmissão da fé para a próxima geração estão sendo neutralizadas".

E nesse contexto, a grande mídia brasileira se vale da tática do vício: incita a paixão para controlar o homem. Essa prática é engenhosa porque exerce o controle social de forma invisível, como afirma Michael Jones: "Aqueles que estão sob a influência de suas paixões veem apenas o que eles desejam e não percebem a escravidão que esses desejos provocam neles". Os engenheiros sociais sabem que o discurso da liberdade de expressão é bonito e atrai o homem, que é um ser acorrentado desde o nascimento. Assim, propõem caminhos falsos, cavam cisternas rotas, que não podem saciar a sede do homem por liberdade. A quebra dos limites morais até parece aumentar a liberdade, no entanto, ela serve apenas para trazer o caos social. As regras sexuais deveriam ser uma questão pública, porque elas tem o poder de influenciar a sociedade para o bem, quando limitadas a um determinado âmbito como o da construção das famílias, ou para o mal, quando usadas apenas como prazer pessoal, divorciado do bem comum. "Como o sexo vai, assim vai a família; como a família vai, assim vai a sociedade", avisa Grabriele. 


Edward Bernays, sobrinho de Sigmund Freud, foi um dos primeiros e mais eficazes engenheiros sociais. Ele tinha uma paixão por manipular as massas. A liberdade de expressão, dizia Bernays em seu artigo célebre 'A engenharia do consentimento', “expandiu a carta de direitos americanos para incluir o direito à persuasão”. Em seu livro Propaganda (1928), Bernays afirmou: "A manipulação consciente e inteligente dos hábitos organizados e opiniões das massas é um elemento importante na sociedade democrática. Aqueles que manipulam este mecanismo oculto da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder dominante do nosso país. Nós somos governados, nossas mentes são moldadas, nossos gostos são formados, nossas idéias são sugeridas, em grande parte, por homens que nunca ouvimos falar. [...] Em quase todos os atos de nossa vida diária, seja na esfera da política ou de negócios, em nossa conduta social ou o nosso pensamento ético, somos dominados por um número relativamente pequeno de pessoas... que entendem os processos mentais e padrões sociais das massas. São eles que puxam os fios, que controlam a mente pública".

São exatamente essas forças invisíveis que controlam as massas, levando-as a um estado hipnótico do prazer, que manipulam a democracia, convertendo em opinião as verdades absolutas do universo criado. A verdade absoluta do Deus invisível revelada nas Escrituras foi reduzida ao reino da mera opinião (verdade relativa) e agora, no seu lugar, reina a "verdade" daqueles que moldam as opiniões da massa. Uma vez que Deus foi tirado do seu lugar, as pessoas que controlam as opiniões passaram a controlar o país. Esta é a democracia que vivemos e liberdade que conquistamos.

Essa classe falante, que domina as palavras e ideias, controla o discurso público, ainda que a maioria silenciosa brasileira seja contrária aos princípios imorais e libertinos pregados por ela. A igreja aqui no Brasil é grande em número e é, com todos os seus desajustes e imperfeições, a que tem impedido o caos por aqui. A maioria moral brasileira precisa se erguer e reverter a degradação da nossa cultura popular, ligando a arte e o entretenimento com a verdade. Não é a ciência a mestra da verdade. É a Palavra de Deus a verdade, e Jesus, a revelação encarnada desta verdade. O mundo em que vivemos é a revelação do Deus que é amor, bondade e justiça. Ele mesmo determinou as leis físicas para a sua subsistência, e as leis morais para a nossa conservação.

Portanto, se quisermos tornar este lugar um mundo melhor, comecemos disciplinando nossos hábitos de entretenimento. Diga não a tudo o que contraria a verdade de Deus. Rejeite as ofertas da falsa liberdade. Desligue a TV, não assista aos filmes que exaltam os poderes do mundo, deixe de ouvir as músicas populares que estimulam a carne e a sensualidade. Volte os olhos para Deus e para suas verdades. Seja um cristão convicto no lar e no mundo e assuma de volta o controle espiritual e moral da sua família. Desde que casei, eu e meu esposo acordamos em não ter TV. Além disso, fizemos uma limpeza nos nossos produtos culturais, e deixamos de lado vários hábitos de lazer que poderiam nos levar a outros caminhos mais sombrios. Nem ligamos para aqueles que, embora cristãos, tentavam nos convencer que a "graça comum" permite-nos adotar certos padrões mundanos da cultura, como hábitos de lazer puramente seculares ou consumo de produtos da cultura popular mundana. Perseguimos no desejo de formar uma geração de piedosos para a glória de Deus, e ainda estamos nesta luta.

Não chegamos nem na metade do caminho e estamos longe da perfeição, mas já colhemos algumas vitórias. Não é fácil nadar contra a correnteza da cultura popular, divorciada de Deus e da Sua Verdade, mas com a ajuda do Espírito Santo, obtemos o poder necessário para vencermos. Jesus não nos deixou às cegas neste mundo. Ele veio com a missão de resplandecer a luz nas trevas da mente humana. Ele veio para nos libertar dessas trevas, da escravidão do pecado. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. Ele é a luz verdadeira que ilumina todo o homem. No entanto, esta luz verdadeira não usa das armas humanas de persuasão. Ela não força ninguém a recebê-la. Jesus apenas convida os homens para que experimentem dele pela fé. Não oferece vantagens humanas, pelo contrário, mostra os custos que essa escolha nos trará neste mundo que claramente O rejeitou. No entanto, para os que lhe recebem, dá-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus no mundo. E assim, podemos viver em liberdade num mundo acorrentado (João 1.11-13). Nele, morremos para a vida de vícios e nascemos não mais do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. A carne e a vontade humana, seja nossa ou de quem queira nos manipular, não mais terão domínio sobre nós. Essa é a verdadeira liberdade.

Mas não é somente isso. Superamos o vício, mas não deixamos o seu lugar vazio. 
Passamos a odiar o mal, e enquanto nos afastamos dele apegamo-nos ao que é bom (Rm 12:9). Ocupamos aquele espaço com o que é verdadeiro, honesto, justo, puro, amável, de boa fama e que tem virtude e louvor (Fp 4.8). Uma vez limpos do pecado, precisamos preencher o coração com as obras de justiça. 

Esse padrão de vida persegue não somente a vida de devoção com Deus, como nos desafia a passar por este critério tudo o que entrará em nós pelos nossos sentidos. Devemos treiná-los para amar o que é excelente. Antes de sentar numa roda de amigos, ante de entrar numa conversa online ou via WhatsApp, antes de ler, ouvir e assistir, lembre-se: "TUDO O QUE É VERDADEIRO, TUDO O QUE É PURO...", e então pare. Se vai lhe levar ao pecado, corte! É melhor entrar no céu amputado do que ir para o inferno inteiro. Seja radical. Seja santo. 

O Cristianismo limpou o coração da cultura, mas esta geração pós-cristianismo, como nos ensinou nosso pastor num dos nossos cultos de doutrina, expulsou Cristo e a Verdade de Deus das suas imaginações, dando lugar a espíritos malignos. Estes, ao chegarem nas mentes desviadas de Cristo, as encontraram varridas e adornadas, porém vazias. O último estado deste mundo será pior que o primeiro (Lc 11.24-26). Confirme essas palavras dando uma rápida olhada nos seriados e filmes, na literatura e nas produções culturais: zumbis, canibalismo, bruxaria, satanismo explícito. Tudo caminha para o estado profetizado por João, no Apocalipse: "Quem é injusto, seja injusto ainda; e quem é sujo, seja sujo ainda; e quem é justo, seja justificado ainda; e quem é santo, seja santificado ainda" (Apocalipse 22:11).

Não nos admiremos: as coisas vão ficar piores antes da nossa redenção definitiva. Mas para os santos haverá mais santidade, mais temor a Deus, mais justiça. E quando tudo ficar insuportável, ergamos os olhos para os céus: a nossa salvação virá, o socorro do Senhor nos livrará de todo o mal. E assim como Ele guardou a nossa entrada neste mundo, Ele guardará a nossa saída, desde agora e para sempre.


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4 comentários

  1. A mais pura realidade...
    Precisamos realmente falar, não podemos
    Calar.

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  2. A mais pura realidade...
    Precisamos realmente falar, não podemos
    Calar.

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