LIÇÕES QUE APRENDI

15:32:00




Tantas coisas aconteceram desde que me tornei "adulta" no sentido maternal da palavra. Quem nunca ouviu de sua mãe: "Quando você crescer, e tornar-se adulto, poderá fazer isso ou aquilo. Por enquanto, vai ter que me obedecer". Sim, eu cresci e hoje faço exatamente o que... eu fazia quando era solteira!



Eu mudei de autoridade, apenas. Troquei os cuidados dos meus pais pelos cuidados do meu esposo, e, principalmente, do meu Deus. Não que Ele não tenha cuidado de mim desde que nasci, mas que depois que eu saí de casa, eu precisei mais dEle, e Ele, como de costume, veio me socorrer diretamente, sem a querida "mãozinha" da minha mãe.

Já se foram treze anos desde que assumi esse compromisso. Mas este ano, em especial, foi para mim um ano de um crescimento mais acelerado. Quem é mãe ou pai sabe que na vida das crianças há certos "picos" de crescimento. Esses saltos costumam ser uma fase de crescimento acelerado. Como Deus é sábio e faz tudo com um propósito, acho que Ele fez isso também para nos ensinar alguma coisa. Na família, especialmente, isso faz todo o sentido.

Logo que nascemos como família, marido e mulher unindo-se em casamento, experimentamos um acelerado crescimento. Eles vêm acompanhados de incertezas, dúvidas, angústias, mas também de muita diversão e possibilidades. É um período excitante e desafiador. Aprendemos caindo, a linguagem emocional começa a dar sinais de compreensão mais clara, e aprendemos a andar com nossos próprios pés. Em cada pico de crescimento há certa angústia de separação que nos acompanha. Isso acontece porque estamos crescendo, entendeu? Deixamos para trás algumas coisas, mas conquistamos outras, não totalmente autônomas na experiência humana. Elas só acontecem porque outras etapas menores foram conquistadas.

UM POUCO DE BÍBLIA...
Zorobabel liderou o grupo de cativos que retornara a Jerusalém para reconstruir os muros derribados por Nabucodonozor. Aos olhos humanos, aquela importante etapa na história do povo de Israel era, talvez, um passo pequeno diante da enorme glória do passado. Ainda assim, era um crescimento expressivo na história. Era um "pico" de crescimento para o povo judeu. De forma modesta, eles estavam pondo os alicerces para a chegada do Messias, e nem sabiam disso. Foram as mãos de Zorobabel que lançaram os alicerces da casa de Deus, a casa que teria maior glória que a do primeiro templo, o de Salomão, cuja inauguração arrebatara o povo pelo seu esplendor. Ageu, profeta dos tempos de Zorobabel, disse: "A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos, e neste lugar darei a paz, diz o Senhor dos Exércitos" (Ageu 2:9).


O Senhor falou a Zorobabel também através do profeta Zacarias. Deus faria uma coisa nova no meio do seu povo. "Não por força nem por violência, mas sim pelo Espirito de Deus". Uma nova etapa estava para concretizar de vez o ponto mais alto da história da nação eleita, e que era própria razão de sua eleição: o Messias estava bem pertinho, logo chegaria o dia em que Ele se manifestaria. Diante dEle, todo império seria arruinado, todo monte alto tornar-se-ia uma campina, porque a pedra angular chegaria, a pedrinha do sonho de Nabucodonozor. Ela destruiria todos aqueles que dominaram Israel, ainda que fosse aparentemente fraca e inexpressiva. A pedra nos diz que ele não viria com poder aparente. Pelo contrário, Ele chegaria pequeno como a pedra cortada sem mãos.


Engraçado que Deus escolheu fazer tudo mais simples. Desta vez, Israel já não era mais aquele bebê que saíra do Egito, cheio de expectativas para a nova vida ao lado do seu novo Pai, Deus. O tempo da maturidade chegara, a "plenitude dos tempos", para Israel. Zorobabel foi animado pelo profeta que disse: "As mãos de Zorobabel têm lançado os alicerces desta casa; também as suas mãos a acabarão, para que saibais que o Senhor dos Exércitos me enviou a vós. Porque, quem despreza o dia das coisas pequenas?" (Zc 4.10).

Zorobabel terminou a construção, mas aquela era uma nova etapa de uma nova ordem de coisas. Como disse MacLaren: "Não há começos ou fins, propriamente falando, nos assuntos humanos, mas tudo é um fluxo ininterrupto". Zorobabel não viu o fim do seu trabalho, pois este permaneceu mesmo depois de sua partida.


UM POUCO DE NÓS...
Como naquela história de Israel, em nossa vida experimentamos exatamente o mesmo. O ápice da maturidade, ou o começo de um novo tempo cuja ordem de coisas são também novas, normalmente acontece de forma discreta, mas significativa. No meu caso, aconteceu de forma totalmente imprevisível, mas eu sei, completamente planejada por Deus. Eu, tal como Zorobabel, ainda não vi o cumprimento final, a razão pela qual o templo que construo é erguido. E aqui eu falo, como vocês devem suspeitar, dos meus filhos e da minha família.


O início dessa construção foi cheio de surpresas, muitas promessas. O que irá acontecer, eu sei, é grandioso, mas não posso, tal como Zacarias falou, desprezar o momento em que vivo por ser aparentemente um momento de pouca realidade concreta, mas de muita fé. A conclusão desse trabalho será o sinal de que Deus falou comigo hoje. Essa convicção eu tenho agora, enquanto assento as bases da fundação do meu lar. E eu digo, "é melhor ter certeza agora de que Deus falou, enquanto essa certeza ainda é resultado da fé, do que deixar pra ter certeza só depois de ver o cumprimento, quando já não mais haverá dúvidas" (MacLaren).

Nesse "pico de crescimento" eu sei que algo de muito bom virá. Por quê? Porque muitas águas já rolaram desde que nasci para os propósitos de Deus. Esse momento agora é especial porque se reveste de uma simplicidade jamais idealizada. É um crescimento discreto, mas consistente. Já passei pelo desejo de ter as coisas sob meu controle, já comprei o que quis e descobri que não faz sentido algum ter o que quer, na hora que quer. Já caí, já fiz escolhas erradas, já me decepcionei com amigos, parentes, e principalmente comigo mesma, centenas de vezes. Até que desisti de lutar por mim. Depois disso, percebi que as coisas, para serem boas, não precisam de excesso de glória, como foi com Salomão. Elas precisam apenas de firme convicção e da humildade que acompanha a dependência de Deus, como nos dias de Neemias, Zorobabel e Esdras.


Como dizem, crescer dói. E eu me magoei. A dor veio de forma amiga, para me ensinar valiosas lições. Eu aprendi a obediência naquilo que padeci. Já não digo: "bom seria aprender sem precisar sofrer", porque não é sábio falar assim. A dor traz um componente indispensável: ela carrega a semente da vida. Experimentamos a morte, para recebermos a vida. É sempre assim. Foi com Cristo, é conosco (Jo 12.24).


Nesse processo de morrer, aprendi:

1. Cada pessoa tem seu jeito, seu ritmo, seu tempo.
Eu não posso avaliar o crescimento usando minhas réguas. Deus tem as dEle, e elas são perfeitas. Ele sabe como tratar com cada pessoa, para que trate a mim enquanto me relaciono com elas. Falando de filhos, cada um exige cuidados exclusivos, sob medida. E eu devo ir mais devagar, "no passo do gado", se quero que cheguem da viagem inteiros.


2. A mesma porta que abre para entrar deve ser a que abre para sair.
Não podemos forçar o amor. Se o Deus soberano que me ama e me enviou Seu Filho permite que escolhamos segui-Lo, correndo o risco de receber a rejeição como retribuição, por que eu forçaria alguém a me escolher? Nesse tempo, amizades cresceram, se robusteceram. Outras, foram minguando e finalmente fizeram as malas e partiram. Fazer o quê? Não posso exigir amor e lealdade de ninguém. O que eu posso fazer é amar e ser leal. Em tempos de Facebook é ainda mais fácil reconhecer os que nos deixam. E uns poucos bons amigos me deixaram. Eu lamentei a partida. Até procurei saber com alguns deles. Outros, eu ensaiei perguntar. Mas sabe de uma coisa? Eu cresci! E aprendi que o amor tudo sofre, tudo crer, tudo espera e tudo suporta. Ele também não exige explicações. Porém, ele sempre espera. E eu quero esperar também, ainda que lutando contra meu desejo de me entristecer e de me vitimar.


3. Ser limitado não é ser incapaz.
A limitação nos faz ver o Deus que é ilimitado em Seu poder. Eu sei, nossas debilidades fazem as pessoas pensarem que fracassamos. Podem até fazer com que olhares se dirijam a nós com certo desdém. Mas se minhas limitações foram postas por Deus, ou seja, se não é fruto da minha petulância e desobediência, então eu sou forte e de fato posso todas as coisas, porque dependo de Deus que é a fortaleza da minha vida. Foi na minha impossibilidade que Deus reordenou minha vida e me mostrou o quanto de força Ele pode me dar, sem que precise de minha ajuda no processo. Parece mesmo que Ele gosta de assumir riscos. Mas com Ele, o risco é zero. Sempre. Aprendi que Jesus estava certo quando disse: "sem mim, nada podeis fazer" (Jo 15.5).
Quando estamos limitados, também perdemos a habilidade de fazer tudo o que queremos. Então, sobra tempo para fazer o que é necessário e indispensável. 


4. Fazer planos não é a garantia de que tudo vai dar certo. Deus é a garantia do sucesso. 
Descobrimos que a vida não é aquilo que esperamos. Coisas boas não nos satisfazem por completo e nossos sonhos podem ser um grande pesadelo no final. Quanto mais nos apegarmos ao que deseja ardentemente o nosso coração, mais longo será o caminho, em mais pedras iremos topar.
Os planos de Deus, ainda que obscuros, são a verdadeira certeza de um futuro de paz.  Os homens podem até olhar com desprezo para o começo humilde, mas há outros olhos que nos veem com alegria, pois conhecem o final.
Que importa os zombadores, se Deus aprova, se Ele está no comando? O que será do riso deles? Se tentarmos chegar tão perto de Deus para ver as coisas de acordo com Seus plano e não com os nossos planos seremos salvos de muitas expectativas falsas do que é grande e do que é pequeno, do que é bom e do que é ruim. E ainda que os planos dEle sejam pequenos e pobres em relação aos nossos, eles estão investidos com estranha dignidade, porque detém a atenção de Deus para contemplá-los e abençoá-los.

Minhas grandes conquistas aqui são apenas madeira ou palha diante de Deus. Os planos concretizados, se foram realmente conduzidos por Deus em obediência à Ele, ainda que aparentemente insignificantes ou anônimos, brilharão, na eternidade, como o ouro e as pedras preciosas. Sem falar que receberei dEle a coroa de glória e serei aclamada por Ele diante de todos os santos. Meus planos falham. Os dEle, nunca.

5. Nem sempre a vitória é ganhar.
Muitas vezes, ganhar está em perder. Precisamos perder para ganhar. Ficar calado, para vencer o debate. Desistir das minhas armas é considerar que a natureza da batalha é espiritual e que não posso vencer no grito. Se ganhamos usando os métodos da carne, então teremos perdido. Muitas vezes perdemos aos olhos dos outros, mas vencemos no mundo espiritual. E os frutos dessa vitória são contemplados pela fé, isso eu aprendi com a querida Nancy Pearcey.

Se sabemos que é o Espírito de Deus o responsável pelo sucesso do trabalho feito por Deus, devemos escapar do erro vulgar de medir a importância das coisas pelo seu tamanho. Os que desprezam o dia das coisas pequenas, não se alegrarão no dia das grandes coisas. A obra de Deus sempre começa com pequenas sementes, morrendo aqui, morrendo acolá. Todos os que se engajam nela fazem muito pouco, mas têm a certeza de que estão construindo a cidade de Deus.

6. Há coisas que não podemos deixar passar, porque só teremos hoje para usufruirmos. Há tempo para tudo e preciso discernir o tempo de cada estação.
Eu revivi muitas coisas passadas, que se pudesse voltar no tempo, faria diferente. Então eu percebi que cada momento é único. Se Deus me deu filhos, Ele quer que eu passe com eles todo o tempo em que estarão sob minha tutela. Essa relação me santifica, porque reordena minhas escolhas e me faz tirar os carrapichos do caminho, e alimenta também aos meus filhos. E mesmo que eu não tenha habilidades especiais, como as mães perfeitas têm, eu posso aproveitar esse momento único, sendo aquela mãe ideal de Deus para a vida dos meus filhos. Posso não ser uma exímia cozinheira, ou talvez eu não seja lá tão organizada, mas se Deus me deu essa vida ao lado deles, preciso colocar minhas imperfeições nas mãos de Deus e tocar a vida crendo que Ele tornará os nossos dias frutíferos para o Seu Reino. Não há ninguém nesse mundo mais apta do que eu para educar meus filhos. E isso não é porque eu seja melhor do que quem quer que seja, mas porque foi a mim que Deus deu os filhos que tenho. Em vez de me antecipar aos problemas tentando fazer as coisas do meu jeito, devo aproveitar o que tenho em minhas mãos hoje e usá-las com esmero para depois não me arrepender de ter corrido nem de ter trabalhado em vão.


Bom, parece mesmo que este ano eu dei um "estirão" no crescimento. E não foi tão fácil quanto esse texto aparenta revelar. Como Zorobabel, eu estou colocando as pedras das casas, não necessariamente as da minha casa, mas das casas que ainda recepcionarão o Salvador. E ainda que os Sambalates e Tobias zombem de mim, eu sei que esse é um grande trabalho. E hoje, aquelas zombarias que me abalavam são o combustível para minhas ações. Quanto mais insulto, mais certeza de que Deus está aprovando. Afinal, se meu Mestre foi desprezado e insultado, por que eu esperaria menos do que isso?

Eu só não posso perder meu prestígio com Deus. Não, isso seria o meu fim. Mas isso é um caso que cabe só a mim e a Ele. Por enquanto, vou vivendo de fé em fé, contentando-me em ver a semelhança de Deus estampada em meu rosto, ao acordar. Isto é o que me basta: saber que, de alguma forma, vivo para mostrar que sou feita à Sua imagem e semelhança, pois em Cristo posso ter restauradas todas as coisas (Sl 17.14,15).

A cada dia, meu rosto vai mais e mais perdendo seu vigor. Faz parte também do crescimento. Mas no sentido espiritual eu vou ganhando mais e mais força, a luz brilha até que vai chegar o dia perfeito e eu não precisarei mais passar pelas dores do crescimento. Um dia eu vou me levantar e vou embora, pois este não é o lugar de descanso. Há um descanso que me espera ao final de todo o labor, e é para lá que eu estou indo.

Naqueles "picos de crescimento" as crianças e adolescentes se sentem estranhos, meio esquisitos mesmo. Eles começam a perceber as coisas de outra forma. Por causa das mudanças, é normal que eles se aproximem mais dos seus pais, para encontrar amparo e proteção. Eu me lembro bem quando completei 12 anos. Eu era tão estranha... E o que me dava alento era saber que eu poderia estar ao lado da minha mãe no culto, depois dele, e quando ia para casa. Eu não quis nem mesmo participar do grupo de adolescentes naquele ano. Mas eu tinha meus pais perto de mim, e isso era tudo o que eu precisava para transitar entre as pessoas. 


É verdade também que à medida em que amadurecemos vamos nos sentindo perdidos no mundo. Nossos sistemas de percepção já não são mais os mesmos. O mundo nos parece estranho e cada vez desejaremos voltar para o lugar feito para nós, e por uma razão bem simples: lá está aquele que tem nos conduzido, nosso Pai, nosso guia e tutor.

________________________
Adna Souza Barbosa

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5 comentários

  1. Querida Adna, agradeço a Deus por sua vida e a família linda que Ele lhe deu. Esta maneira como o Senhor lhe tem orientado... serva do Senhor - servindo ao seu amado esposo e aos seus lindos filhos. Deus confiou a você à educação deles; continue cumprindo o chamado do Senhor. Ele é fiel para suprir todas às vossas necessidades. Parabéns por mais um ano de vida conjugal! Desejo ao casal saúde espiritual e física. Um abraço! 😙❤ Salmos 128

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    1. Amém! Deus tem sido muito bom para mim, em cada momento, em cada circunstância.

      Deus te abençoe!

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  2. Querida Adna, sou grata a Deus por ter encontrado o seu blog. Através de suas palavras passei a enxergar melhor a vontade de Deus para a minha vida neste ano de 2017.
    Ao ler este texto, quando na última frase você escreveu que "o mundo nos parece estranho e cada vez desejaremos voltar para o lugar feito para nós, e por uma razão bem simples: lá está aquele que tem nos conduzido, nosso Pai, nosso guia e tutor", derramei lágrimas, pois é exatamente assim que me sinto... Mas enquanto isso, aqui nesta terra que nos foi dada por amor, o melhor é seguir o caminho que Ele trilha para nós, sem nos desviarmos. E assim, esperamos que o Pai um dia nos receba de portas abertas!
    2017 foi um ano de muitos acontecimentos, dentre eles conhecer o seu blog.
    Peço ao Pai que você continue te dando inspiração e sabedoria com as palavras, e assim toques o coração de mais mulheres sedentas pela palavra do Pai Celestial.
    Tenha um maravilhoso fim de ano em família, e que em 2018 a graça de Deus continue repousando sobre todos nós!
    Grande abraço,
    Regiane de Carvalho.

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    1. Que palavras encorajadoras! Fico tão feliz em saber que da minha casa eu posso falar com outros sobre aquilo que Deus me tem concedido! Essa é uma das bênçãos das tecnologias.

      Obrigada por cada palavra. Você me animou e me deixou mais grata por este ano que passou.

      Ore por mim, para que Deus me dê saúde para continuar cumprindo Seus propósitos neste mundo.

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  3. Tudo o que eu precisava ler!!!
    Bjos.

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