A mulher, o trabalho e a confusão que o feminismo causou

18:58:00

Somente as profissionais é que trabalham? Ser do lar é não trabalhar? Desde quando as coisas viraram pelo avesso? Uma conversa franca sobre a mulher, o trabalho e a família.




Dia desses eu fui num dos mercados mais conhecidos da minha cidade. Estava à procura de uma rede. Andei para lá e para cá; o mercado estava vazio. Inúmeros quiosques estavam esperando um cliente - cenário perfeito para uma boa pechincha. Num deles, encontro uma mulher de uns 20 anos. Era alta, forte, disposta. Pergunto o preço da rede que estava exposta. Prontamente ela tira a rede, fazendo a maior bagunça. Eu falo: "pode deixar lá mesmo, moça! Eu só quero saber o preço". "Não! Eu quero que você veja!", falou. Eu repliquei: "não precisa... vai desarrumar tudo e você terá de arrumar novamente!". "Ah, senhora, deixa eu trabalhar! Se eu não quisesse trabalhar eu ficaria em casa!".

Peraí. Se eu não quisesse trabalhar eu ficaria em casa? Como assim? Ah... não pude ficar calada. Disse-lhe: "Veja o que fala, moça! Em casa você teria muito mais trabalho do que aqui". E então eu lembrei as inúmeras atividades do lar que ela poderia estar fazendo naquele momento. Ela pensou um pouco e disse: "...realmente. Em casa trabalhamos muito mais".

"Pobre mulher!", pensei. Ela é apenas fruto de uma sistema maligno que a convenceu a abandonar o lar em busca de uma suposta realização pessoal. Ela não estava ali porque precisava. Suas motivações eram maiores, eram motivações sociais e filosóficas. Mesmo sentada, desperdiçando palavras à espera de um cliente, estava convencida de que estava trabalhando. Como filha da geração feminista, provavelmente nunca conheceu as alegrias do lar.

O certo é que o trabalho mudou com o passar do tempo. O que para nós pode ser uma conquista — ter uma carteira assinada e carreira dentro de uma empresa — para nossos antepassados poderia ser um sinal de subserviência. Submeter-se a um emprego (ou seja, a um empregador) não era algo tão desejado como é hoje. Em tempos passados, o trabalho era visto de uma forma muito mais ampla. Trabalho era negociar mercadorias, trabalhar com as mãos, arar a terra, vender o excedente do que era produzido. O estudo acontecia em casa e os professores eram quase membros da família. A figura do profissional liberal era comum; não havia grandes empresas, nem organizações que captassem mão de obra especializada, como temos hoje. O trabalho nas fábricas alterou o modo de vida e o próprio conceito de trabalho.



Talvez seja por isso que a dona de casa não se sentia inferior. Dentro de casa ela produzia, plantava, colhia, costurava, vendia, cozinhava, educava... ufa! Ela era uma rainha! Sim, esse trabalho era totalmente compatível com as mulheres, pois elas podiam exercer a maternidade e ainda ser economicamente produtivas. Sem falar na rede de apoio que tinham: outras mulheres que ajudavam porque eram vizinhas, amigas, e dividiam os mesmos fardos da vida. Não se tem registros de depressão pós-parto, transtorno de ansiedade, fobia ou depressão na vida daquelas mulheres. Talvez porque não se registrassem. Talvez porque eram mais felizes mesmo. Elas eram mulheres economicamente produtivas EM CASA.

Nesse modo de vida, sair de casa era a pior escolha. "Por que sair se eu posso ser tudo dentro do lar?", por certo pensavam nossas avós. O trabalho lá fora não era a melhor opção para a mulher e era totalmente aquém das suas capacidades para a formação da vida e sustentação da família. Leia os clássicos, veja as pinturas do passado... todas elas retratam a mulher-mãe como uma mulher ativa, produtiva e DO LAR. Diferente do que pintaram as feministas, as mulheres não eram oprimidas, mas libertas das garras do mercado de trabalho lá de fora, livres em suas casas para serem o que quisessem ser.

O trabalho era realizado não somente pelo chefe da casa, mas por todos. A casa era uma unidade econômica produtiva e autônoma. E, não muito longe dos nossos dias, ainda guardávamos alguns resquícios desse modelo. Meu pai, por exemplo, era um profissional autônomo, cuja oficina funcionava em casa. Era normal encontrarmos casas que funcionavam como ponto de trabalho. Lá em casa, era normal trabalhar com meu pai, ajudando de alguma forma nos seus serviços. O bom de tudo isso era poder usufruir de sua presença. Marido e esposa estavam juntos, o dia inteiro. As crianças, depois da escola, ajudavam no trabalho - era um verdadeiro empreendimento familiar.


Nesse contexto é fácil entender o papel da mulher virtuosa. Ela não era uma feminista porque trabalhava, como querem nos fazer crer os feministas evangélicos. Aliás, feminismo não é sinônimo de trabalho, porque trabalho as mulheres sempre tiveram. E isso precisa ser desmascarado. A mulher virtuosa trabalhava com suas mãos EM CASA. O trabalho dela era no lar e para o lar, não para sua realização pessoal em algum lugar do planeta. Todos os seus esforços eram para o bem-estar do marido, filhos e casa. As mulheres não tinham essa necessidade de construir um nome, uma carreira. Elas estavam bem satisfeitas em fazer parte de uma engrenagem que funcionava: a família. Cuidar do lar era um dever social e uma obrigação moral. E não somente as mulheres tinham seus papeis sociais definidos, como os homens eram chamados a sacrificarem-se em prol da família.

Continuaremos no próximo texto explicando o que levou algumas mulheres a desejarem sair de suas casas e como isso alterou o formato familiar e o sentido do lar.

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Adna S. Barbosa


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4 comentários

  1. Estou ansiosa pela segunda parte.

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  2. Adna, gosto muito de ler seus textos. Mas, sinto-me ainda muito desvalorizada. Sou farmacêutica, mas há 16 anos, desde que meu filho completou 1 aninho, mudei de profissão, e tornei-me dona de casa. Mas sempre me perguntam, se não trabalho. E apesar de fazer todo o trabalho da casa, cuidar dos dois filhos (o mais velho teve câncer no ano passado) e a menor de 3 anos, acompanhá-los em todas as suas jornadas, sinto que por não ter renda, não tenho valor. Você nunca sentiu-se assim? Obrigada, Ester.

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    1. Ester, eu já me senti assim também. Mas sempre que me sinto assim, percebo duas coisas:

      1. Ou estou com muito "tempo livre", entenda por tempo livre, tempo sem atividade produtiva;
      2. Ou estou muito ocupada com o trabalho que não me pertence.

      Como explicar isso?
      Bom, você pode me perguntar: "Tempo livre?" E mãe tem tempo livre? Quando falo isso, refiro-me àqueles momentos em que a rotina simplesmente flui: tudo dá certo, lavo, cozinho, cuido das atividades das crianças, passeamos, e quando completo cada atividade, entrego-me aos entretenimentos pouco instrutivos como tecnologias, séries, conversas sem propósito, etc. Essa rotina no automático faz mal a longo prazo! Precisamos de novos desafios, novos empreendimentos, novos trabalhos. E podem ser coisas simples como substituir o "tempo livre" com piedade que edifica. Ou seja, orar mais, tentar frequentar um culto de oração, ou ler mais a Bíblia, ou entrar num "clube da Bíblia", envolver-se com o evangelismo, só para citar os mais importantes. Pode ser também incluir na agenda visitas, atividades dirigidas etc. Tudo isso tira o tédio e nos faz mais maduras!

      Depois, o segundo ponto, normalmente me sinto mal quando assumo trabalhos que não são meus. Para afastar isso, precisamos de foco no necessário para aquele tempo específico da vida e preparação para fazê-lo da melhor maneira possível. O restante, fazemos quando nos sobra tempo. Mas, o que deixa muitas mulheres que trabalham muito entediadas é a prática de estar constantemente envolvidas num projeto que não é o essencial para aquele momento de sua vida. Para as casadas pode ser um trabalho fora do lar enquanto os filhos pequenos clamam por ela em casa, ou um trabalho na igreja que a ocupe demais, quando casa, marido e filhos ficam em segundo plano; ou, ainda, um envolvimento demasiado com amigas e trabalhos sem investimento no tempo de sua vida (não falo somente de retorno financeiro, mas principalmente moral e espiritual).

      Se algo do que falei retrata seu problema, você precisa parar, reordenar as prioridades, investir em crescimento pessoal em Cristo, para poder ajudar os que dependem de você. Pode também, envolver-se mais com sua igreja para receber apoio e oração. Se perceber que a maioria das mulheres está infectada com o vírus do feminismo e do egoísmo mundano, busque uma igreja que ensine a Bíblia e reconheça o valor da família para o mundo. Converse muito com seu esposo, divida as cargas com ele. Ele é o chefe do lar e sacerdote. Ele pode e deve fazer muito com você pelos seus filhos.

      Um abraço! Estarei orando por você.

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  3. Adna, muito​ obrigada! Vou estudar suas palavras com carinho. Que o Senhor nos dê graça!

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