Conservadora com alma feminista

18:31:00



Elas são cristãs e bonitas. São inteligentes e sensuais. São articuladas e possuem um espírito impetuoso. Elas também são esposas e mães, têm suas casas e oram todas as noites ao Papai do céu. Elas são representantes das donas de casa, das esposas e mães e das moças virgens. Elas estão no mundo com uma missão, têm um papel diferente do de Eva. Talvez Deus as tenha feito com uma pitada de sal a mais, ou a menos. Talvez foram feitas para estarem numa outra classe de mulheres, talvez sejam uma exceção de Deus na criação.

No Brasil, elas se chamam de direitistas, conservadoras e cristãs. Joice Hasselmann é uma delas: mulher impetuosa e decidida, defensora dos valores da família. Curiosamente, ela está há mais de 3 meses sem ver o filho, e o marido não se sabe onde está, se servindo de motorista ou esperando sua esposa em casa, assistindo pelas redes sociais às suas postagens, esperando que chegue o final de semana quando ela voltará de Brasília para uma curta passagem em casa. Outras mulheres que estão em evidência usam a bandeira anti-feminista, sendo que já passaram por vários divórcios e não conseguiram se firmar na verdade em suas vidas pessoais.

Mas… elas estão aí, esbravejando em favor das donas de casa, mães e esposas! Como se isso não bastasse, empresas, partidos políticos, organizações seculares e religiosas recrutam apenas mulheres que possuam currículo de dar inveja às feministas. A mulher conservadora para ser ouvida precisa adotar em sua vida pessoal a filosofia feminista, precisa de currículo e carreira bem-sucedida. Elas sabem que só serão ouvidas, respeitadas e aplaudidas se mostrarem que não estão na categoria inferior das domésticas. Faça um teste: coloque a palavra “domestic” (em inglês) no google e veja as imagens que aparecem: 90% são imagens de donas de casa violentadas e tristes com seus maridos. Essa é a imagem da mulher doméstica no mundo feminista de hoje.

Agora, leve uma autêntica dona de casa para um auditório para defender a mesma bandeira e ela será tida como incapaz e ridícula. Lembro-me de uma amiga que certa vez foi escalada para falar para moças. Quando terminou, uma senhora, com seus 60 anos, aproximou-se dela e perguntou: “Você fala tão bem… O que você faz? É psicóloga?”. Quando disse que era mãe e esposa, a senhora emudeceu. Outra vez, numa reunião de moças, uma professora conservadora e defensora dos valores da família, ao fazer uma dinâmica, perguntou às moças: “qual é o seu sonho?”. E logo colocou uma exceção à resposta que as moças dariam: “não me digam que querem casar! Isso não pode! Vocês precisam primeiro estudar e trabalhar para depois casar”. Ela era cristã. Era defensora da família e do casamento. Mas todo esse comportamento soa mais ou menos como disse Rebekah Merkle: “[Defender a domesticidade da mulher, mas ter uma vida como a de uma feminista] faz tanto sentido quanto uma mulher vestindo um biquíni, de salto alto e uma tiara criticando a objetificação das mulheres em concursos de beleza - porque teme que, se não o fizer, ninguém preste atenção no seu argumento ou a leve a sério”.

Vivemos um fenômeno aqui, uma defesa da família ao modo de ser feminista. Loucura? Talvez. Pra mim, esse é o pior tipo de feminismo porque se esconde sob o manto dos bons princípios, mas por dentro reina a rebeldia contra a vontade de Deus, contra o seu papel natural, reina o desamor e descaso, divórcio e abandono dos filhos. Enquanto defendem a domesticidade, enaltecem suas próprias carreiras fora do lar e se orgulham de abandonar seus filhos e marido em nome das mulheres que elas não quiseram ser. E isso tudo pelo Brasil.


Há alguma coisa errada nisso tudo. Não consigo me ver representada na figura da Joice ou da Ana Caroline Campagnolo. A valorização da mulher feminina não pode ser conquistada com as armas das feministas. A verdadeira guerra se dará nos lares, quando mulheres corajosas decidirem sair do mundo fantástico das feministas. O lugar de guerra não tem holofotes nem exige currículo, mas está em suas próprias vidas, em suas famílias, no trabalho do dia a dia. Essa batalha envolve sujeição e fidelidade ao marido, amor e compromisso de ensinar e criar os filhos em casa.

Eu sei, isso é retrógrado demais, porém Deus gosta disso. Ele gosta dos bebês que mamam e deles tira a força para derrotar o inimigo (Sl 8.2), coloca crianças como maiores no Seu Reino (Mc 10.15), escolhe mulheres domésticas para conquistar cidades e levar notícias em primeira mão (Jo 4.9, Lc 24.22). Ele gosta dos derradeiros, dos aleijados, dos loucos e desajustados no mundo. Ele escolhe as coisas vis e os trabalhadores mais despreparados e os faz ministros no Seu Reino. Acho que Pedro, Tiago e João jamais teriam sido chamados para compor o primeiro escalão de Bolsonaro, mas Jesus os chamou e os tornou grandes.

Não quero mulheres bonitas, de salto alto e maquiadas. Não quero advogadas, professoras, jornalistas para me defender. Quero mães que amamentam, mães que criam seus filhos. Quero mulheres corajosas que renunciaram a carreira para ganhar uma família. Quero mulheres, talvez, com aventais sujos e cabelos que cheiram temperos, isso não importa. Eu quero mulheres que não se envergonham de sua domesticidade, que assumem publicamente seu papel natural, feito por Deus especialmente para ela. Ser mulher natural não pode ser motivo de vergonha.

A conquista feminina não virá das mãos de mulheres conservadoras com alma feminista. A conquista virá dos lares habitados, dos aventais desgastados, das mãos que trabalham. A conquista virá de mulheres que são nobres o suficiente para sujeitar-se aos seu maridos, tornando-os homens de prestígio na sociedade. São das mãos, intelecto e força desses homens bem cuidados pelas suas esposas que o feminismo acabará e a mulher triunfará completa, livre e feliz num mundo só seu.


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Adna S Barbosa

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