Mulher Cristã: Repensando o papel da mulher à luz da Bíblia - Uma Introdução

17:05:00


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EM 1990 A REVISTA TIME publicou um número especial inteiramente dedicado às mulheres. O editor iniciou sua coluna desta maneira:
“As mulheres, que compõem quase a metade da população mundial, não precisariam batalhar por atenção. No entanto, batalhar é exatamente o que elas têm feito nas últimas décadas do século XX. Seus esforços não merecem outro nome que não seja revolução — em expectativas, proezas, realizações pessoais e no relacionamento com os homens. É uma revolução que, embora longe de estar concluída, promete resultar, com o passar do tempo, em mudanças tão profundas para homens e mulheres como as acontecidas no Leste Europeu ou na União Soviética no ano que se passou.”
A edição especial de oitenta e seis páginas incluía artigos sobre avanços revolucionários tais como: “o caminho para a igualdade”, a psicologia relacionada ao fato de se crescer mulher, a mudança do papel feminino no mercado de trabalho, as mulheres como consumidoras, as mudanças nos conceitos de casamento e família, e os obstáculos que as mulheres encontram quando entram na carreira política.
Uma seção destacava o perfil de “10 mulheres obstinadas” que combinavam “talento e dinamismo” para serem “bem-sucedidas” em suas profissões: uma superintendente da segurança pública de uma metrópole importante, a dona de um time de basebol, uma cantora de rap, uma ativista do movimento de conscientização da aids, uma alpinista, uma “bispa” de uma denominação tradicional, uma magnata do mundo fashion, uma saxofonista, uma chefe indígena e uma coreógrafa. Essas mulheres foram elogiadas principalmente pelo sucesso alcançado nas profissões que escolheram seguir.
Nessa edição especial da revista, ficou evidente a falta de reconhecimento a mulheres bem-sucedidas em áreas não ligadas a uma carreira profissional — mulheres que continuam bem casadas com o mesmo marido ou que criaram filhos que contribuem de modo positivo com a sociedade. como esperado, não houve elogios às mulheres por serem reverentes, moderadas, recatadas, singelas, gentis, tranquilas, por amarem seus maridos e filhos, manterem a casa limpa e organizada, cuidarem dos pais idosos, nem por serem hospitaleiras, bondosas, prestativas, misericordiosas ou demostrarem compaixão pelos pobres e necessitados — o tipo de sucesso que, de acordo com a Bíblia, as mulheres deveriam desejar alcançar (1Tm 5.10; Tt 2.3-5).
Fiquei espantada porque o artigo da revista Time apresentou mulheres em diversos ambientes e funções, mas havia poucas e raras referências ao lar. (As poucas referências a casamento e família enfatizavam: “mulheres que decidiram não se casar…, mas ter filhos”; homens que ficavam em casa cuidando dos filhos; mães divorciadas; lésbicas; mães que trabalhavam fora — evidências da popularidade dessa revolução que reconhece todos os estilos de vida como escolhas igualmente válidas, exceto, talvez, quando a mulher escolhe centralizar o coração e a vida em sua família. As leitoras que escolheram a carreira de donas de casa poderiam facilmente se abalar com o artigo suplementar sobre esposas, intitulado: “Cuidado: trabalho insalubre”. O subtítulo avisava: “Em busca de segurança econômica para toda a vida? Não conte com as prendas domésticas.”
Nesse contexto, minha intenção não é tanto debater sobre as mulheres e suas carreiras profissionais, mas sim enfatizar até que ponto a identidade e a valorização das mulheres passaram a ser mensuradas por seu papel na sociedade ou no mercado de trabalho. É assim que seu valor é definido, medido e vivenciado. Em contraste, atribui-se relativamente pouca prioridade ao papel da mulher dentro de casa. 
Quando leio comentários iguais ao publicado pela revista Time, sinto uma profunda tristeza em relação ao que foi perdido no meio dessa revolução — a beleza, o fascínio e a riqueza da constituição, do chamado e da missão singulares das mulheres.
O fato de a sociedade estar confusa e errada quanto à identidade e à vocação das mulheres não deveria causar grande surpresa. mas o que me perturba é o quanto a revolução acima descrita tem influenciado até mesmo o mundo evangélico.
Vemos o fruto dessa revolução quando palestrantes, escritores e líderes cristãos fazem campanha, de maneira discreta ou abertamente, incentivando as mulheres a definir e descobrir seu valor no mercado de trabalho, na sociedade ou na igreja, ao mesmo tempo em que minimizam (ou até mesmo sacrificam)seus papéis característicos no lar como filhas, irmãs, esposas e mães — como geradoras e nutridoras da vida, protetoras, como alguém que tem o privilégio e a responsabilidade de moldar o coração e o caráter da próxima geração.
O movimento feminista deveria, supostamente, fazer a mulher se sentir mais realizada e livre. Deveria fazer com que nos sentíssemos melhor a nosso próprio respeito, afinal “você trilhou um longo caminho para chegar até aqui, garota!”
Contudo, o que vemos é o fruto envenenado do movimento nos olhos e no pranto sofrido das mulheres que estão afundando no pântano de uma série de divórcios e novos casamentos, e lidando com filhos rebeldes. As mulheres estão exaustas do malabarismo exigido na tentativa de manter um ou mais empregos, de cuidar sozinhas dos filhos e de se envolver nos trabalhos da igreja. Mulheres desorientadas e confusas, que perderam o senso de missão, visão e propósito de suas vidas, e que estão de forma perpétua e patética envolvidas em sofrimento, incerteza pessoal, ressentimento e culpa.
Sim, a revolução feminina decididamente alcançou a igreja. E quando fazemos um balanço de perdas e ganhos, é óbvio que as mulheres acabaram no prejuízo — assim como seus maridos, filhos e netos — e a igreja toda — e também a nossa sociedade perdida e descrente.
Há alguns anos, uma sensação nova de que eu tinha uma espécie de missão começou a inquietar meu coração. Desde então, o sentimento de pessimismo e desesperança, a sensação de estar sendo engolida por essa revolução foi substituída por grande esperança e ânimo.
Um estudo sobre o desenvolvimento do feminismo moderno (na verdade, o feminismo em si existe desde o jardim do Éden) impressionou-me pelo fato de o movimento em massa não ter começado dessa forma. Começou no íntimo de um grupo relativamente pequeno de mulheres que tinham um propósito, mulheres determinadas e decididas em seus esforços. O movimento foi iniciado com alguns livros e palestras inspirativos, e invadiu os lares americanos (local em que as mulheres se encontravam naquela época) até se tornar uma onda pública. espalhou-se ao pintar para as mulheres um cenário negro (ainda que enganoso) da má situação em que viviam, e apresentar um quadro de como as coisas poderiam ser diferentes. O movimento despertou indignação, anseio e esperança nos coraçõesfemininos; acendeu neles uma recusa de se contentar com as coisas do jeito que estavam.
Ao ponderar nisso tudo, fiquei imaginando o que aconteceria hoje se um grupo, mesmo pequeno, de mulheres dedicadas e determinadas  começasse a orar e confiar emDeus para o surgimento de uma revolução diferente — uma contrarrevolução — dentro do mundo evangélico. O que aconteceria se um “remanescente” demulheres estivesse pronto a se arrepender, a obedecer novamente à autoridade da Bíblia, a aceitar as prioridades e o propósito de Deus para suas vidas e lares, e a espelhar a beleza e o fascínio da feminilidade exatamente como Deusa planejou?
Eu sei muito bem que tais mulheres farão sempre parte de uma minoria (como foi o caso das primeirasfeministas). Mas à medida que essa compulsão interior cresce, tenho me encorajado com a promessa: “Um [...] de vós persegue mil, pois o senhor, vosso Deus, é quem batalha por vós, como já vos disse (Js 23.10). Passei a acreditar que a medida do sucesso não depende de “vencermos” a guerra (pois, afinal, sabemos que ela já foi vencida), mas de nos dispormos a “guerrear”.
Devo explicar que não sou guerreira por natureza. À medida que envelheço, desejo cada vez mais um estilo de vida simples, descomplicado, anônimo. Sempre tive uma relutância natural ementrar de cabeça naquilo que, segundo minha percepção, seria uma vida inteira remando contra a maré (mesmo dentro da igreja); a ideia de ser politicamente incorreta o tempo todo nunca me atraiu. no entanto, minha paixão pela glória de Deus é maior do que meus medos e reservas. e Deus é glorificado por intermédio de mulheres de coração agradecido, confiantes, obedientes, compassivas, mulheres que sejam servas, virtuosas, alegres e femininas, que reflitam para a sociedade o coração e o caráter do próprio Senhor Jesus. Se formos cheias do Espírito, irradiaremos sua beleza e traremos credibilidade ao evangelho.
Diferente da maioria das revoluções, essa contrarrevolução não exige que marchemos pelas ruas, nem que enviemos cartas aos nossos deputados, nem que nos juntemos a outra organização. não exige que saiamos de casa. na verdade, muitas mulheres serão chamadas de  volta ao lar. Só precisamos nos humilhar, aprender, confirmar e viver o padrão bíblico para a mulher, e ensinar os caminhos de Deus para a geração mais nova. É uma revolução que acontecerá quando nos pusermos de joelhos.
Quando aceitei o chamado de Deus para fazer parte dessa contrarrevolução, descobri que não estava sozinha. onde quer que eu partilhe essa visão, verifico que “um abismo chama outro abismo”; o chamado para o retorno ao feminismo bíblico ecoa na alma das mulheres cristãs que provaram o fruto amargo da revolução feminista e que sabem, no íntimo do coração, que os caminhos de Deus são corretos.
Também conheci um grupo de mulheres que estudam seriamente  a Bíblia e são particularmente talentosas em comunicar o plano de Deus para a vida das mulheres. Foi uma alegria especial conversar com algumas delas em março de 2000, durante uma conferência sobre a edificação de famílias na igreja. Nossos corações pulsam no mesmo ritmo, desejando que a glória de Deus seja refletida em nossos lares e igreja à medida que as mulheres aceitam a missão que Deus lhes deu.
As mulheres que dirigiram seminários na conferência mencionada, e cujas mensagens serão apresentadas neste livro, representam uma variedade de estilos e experiências de vida. Elas utilizam diferentes ângulos e estilos para abordarem a condição da mulher do ponto de vista  bíblico. Todas as abordagens, porém, são unidas por um intenso deleite diante da maravilhosa ordem criada por Deus e do papel das mulheres em seu extraordinário plano redentor.
Essas mulheres se unem a mim num convite para que você tome parte nessa contrarrevolução — armada não de raiva, descontentamento,rebeldia e ranço, mas de humildade, obediência, amor e oração — crendo que, no tempo de Deus, as mudanças serão, na verdade, bem  mais profundas e importantes do que quaisquer grandes mudançassociopolíticas que esta geração já experimentou.
Embora não tenha sido escrita no contexto do assunto em questão, esta oração de John Greenleaf Whittier capta um pouco da alma deste livro e do movimento que, como confiamos, Deus fará renascer em nossos dias [tradução livre]:
Querido Deus e Pai da humanidade,
Perdoa nossas atitudes descabidas!
Restaura nosso juízo perfeito;
E um viver mais puro em te servir,
Uma reverência e um louvor mais profundos.
E com uma fé simples como a dos que atenderam,
Ao longo da costa da Galileia,
O gracioso chamado do Senhor Jesus,
Que nós, assim como eles, sem proferir uma palavra sequer,
Levantemo-nos para seguir-te.
Derrama sobre nós teu orvalho calmo de tranquilidade
Até que todas as nossas lutas cessem.
Livra nossas almas da tensão e do estresse,
E que nosso viver ordenado manifeste
A beleza da tua paz
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* Extraído do livro “Mulher Cristã: Repensando o papel da mulher à luz da Bíblia” organizado por Nancy Leigh DeMoss e publicado no Brasil pela Editora Vida Nova.
** Nancy Leigh DeMoss é autora, conferencista e apresentadora do Revive Our Hearts (Aviva Nossos Corações), um programa de rádio diário para mulheres. Ela tem vários livros, CDS e DVDs com palestras de sua autoria, e os usa para promover avivamento pessoal e em grupo, e auxiliar mulheres a desenvolver um relacionamento mais íntimo com Deus.

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